Desculpar ou Perdoar | Salesiano Rocha Miranda

Desculpar ou Perdoar



foto tratada

Algumas palavras possuem definições semelhantes, mas significados diferentes. Significados estes que se distinguem através de uma intensidade sentimental própria. Palavras como: existir e viver, gostar e amar, desculpar e perdoar.

Quantas vezes desculpamos alguém por um ato incorreto sofrido por nós: falhas, agressões, desonestidades e ofensas? Como também, por quantas vezes, pelos mesmos motivos, somos desculpados? Muitas vezes não é mesmo? Porém, são raríssimos os casos em que, de forma espontânea, nas mesmas situações, conseguimos perdoar ou sermos perdoados. A grande diferença entre desculpar e perdoar, é justamente a “memória afetiva” de cada uma dessas palavras. Quando desculpamos alguém, fazemos isso de forma quase que automática sem nenhum esforço sentimental que afete a nossa humildade, o nosso orgulho ou a nossa vaidade. Seja qual for o motivo, a nossa verdadeira intenção ao desculparmos e sermos desculpados, é, de forma amistosa, darmos “logo” a situação por encerrada para assim livrar-nos de futuros desconfortos em nossos relacionamentos. Desculpar é um ato formal de efeito simbólico que não produz nenhuma alteração emocional em quem desculpa ou em quem é desculpado. Porém, quando perdoamos alguém, estamos eliminando, da nossa mente, e, o mais importante, do nosso coração, de forma definitiva e irreversível qualquer tipo de ressentimento e qualquer risco de sequela que venham interferir futuramente em nossa “memória afetiva”. Uma grande distinção entre perdoar e desculpar é que no perdão existe um sacrifício mútuo de mudança de perfis; vai-se o orgulho e vem a humildade. Vai-se o temor, e vem a lucidez, vai-se o rancor e vem a serenidade. A decisão em desculpar ou perdoar, ao contrário do que muitos pensam, não está ligada à importância material, nem ao valor moral do fato ou melhor dizendo, do motivo de sua ocorrência mas sim a uma manifestação emocional, a um despertar da consciência.

Quantas vezes, meu irmão, VOCÊ, ao longo de sua vida desculpou-se e foi desculpado? Desculpou-se e não foi desculpado? Quantas vezes você pediu perdão e foi perdoado? Pediu perdão e não foi perdoado? Há quem considere pedir perdão a uma pessoa conhecida uma atitude constrangedora assim como há quem considere um ato de coragem pedir perdão a um desconhecido.

Pedir perdão ao próximo, é a maior prova de humildade e arrependimento a ser demonstrada por qualquer ser humano. Pedir perdão a Deus demonstra humildade, arrependimento mas também desperta a nossa consciência para um gratificante ato de conversão. O perdão é o alimento da paz. Quando somos tocados a pedir perdão a Deus por uma transgressão, seja ela pequena ou grande, antiga ou recente, não estamos simplesmente pedindo que Deus desconsidere esta transgressão; que Ele a varra para debaixo do “Tapete do Céu”, mas, estamos sim, assumindo, através do nosso reconhecimento e arrependimento, o compromisso inteligente e fiel de não voltar mais a comete-la.

Francisco José de Souza
18/05/15


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *